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27 de novembro de 2020

PEDAGOGIA DA DELICADEZA

O delicado se faz entre os indelicados, não isolado deles. O afetivo se faz no meio dos rudes, não apartado deles. O amparo se constitui no meio dos desamparados e não no isolamento daquele que se sustentam.

Todos nós somos capazes de acolher uma criança e toda criança é capaz de nos interligar a outros tantos homens e mulheres em teia de relação humana baseada na empatia. Aqui em gostaria de lembrar que nosso principio constitucional já prega, desde há tempos, três princípios básicos de vida entre os pares: universalidade, equidade e integralidade. Baseado nos preceitos constitucionais, a construção da educação que tem como valor o cuidado e o amparo se norteia pelos seguintes princípios doutrinários.

A UNIVERSALIDADE é  a garantia de atenção à saúde, por parte do sistema, a todo e qualquer cidadão. Com a universalidade, o indivíduo passa a ter direito de acesso a todos os serviços públicos de saúde física e mental, incluindo a fome pela comida, pelo remédio, pela energia, pela cultura e pela espiritualidade. Assim, ao dar ao cidadão este direito, pensou-se em deixá-lo mais forte perante seu semelhante.

Já a EQÜIDADE é  assegurar ações e serviços de todos os níveis de acordo com a complexidade que cada caso requeira, more o cidadão onde morar, sem privilégios e sem barreiras. Todo cidadão é igual perante seu governante e perante o seu par naquela sociedade e será atendido conforme suas necessidades até o limite do que o sistema pode oferecer para todos. Entra ai a escola, a saúde, o direito civil e os recursos daquela pátria.

E, no caso da INTEGRALIDADE ela é o reconhecimento na prática dos serviços de que: cada pessoa é um todo indivisível e integrante de uma comunidade; as ações de promoção, proteção e recuperação de seu estado de equilíbrio formam também um todo indivisível e não podem ser compartimentalizadas; as unidades prestadoras de serviço, com seus diversos graus de complexidade, formam também um todo indivisível configurando um sistema capaz de prestar assistência integral àquele que sofre, seja ele homem, mulher, criança ou idoso.

 Enfim: o homem é um ser integral, bio-psico-social, e deverá ser compreendido nesta sua complexidade e nunca na sua diminuição ou na sua fragmentação. O que podemos ver hoje nas escolas é uma ação que fragmenta o conhecimento, a criança e a vida dela. Ou seja, matérias que não se combinam, professores que não se combinam, ações que não se combinam, e fundamentos que não se combinam. O resultado de toda esta divisão é um ser humano sem condições de perceber o todo e sem condições de agir no todo, senão nele mesmo e para ele mesmo. Assim, ao invés de pensar em defender a todos, somos tragados pelo desejo de defender somente a nós.

A educação baseada no cuidado e no afeto traz o homem ao centro da escola e faz com que a escola pense no homem a partir dele mesmo e não a partir daquilo que a fábrica espera ou daquilo que a tecnologia exige. A educação que tem o homem no centro de suas ações tem também o cuidado , o amparo e o afeto como premissas de seu trabalho. Isso tudo é a pedagogia da delicadeza.

 

( Trecho extraído do meu livro: A pedagogia da delicadeza, Wak Editora, Rio de Janeiro, 2014.)

Prof. Dr. Geraldo Peçanha de Almeida

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