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21 de janeiro de 2021

E OS ALUNOS ÓRFÃOS DA ESCOLA PRIVADA?

E OS ALUNOS ÓRFÃOS DA ESCOLA PRIVADA? QUEM VAI ACOLHÊ-LOS? COMO SE DEVE ACOLHÊ-LOS? POR QUE ACOLHÊ-LOS?

Ninguém falou até agora, mas eu falo, sem nenhum medo e constrangimento, porque estou certo que é preciso. O que vai acontecer com os meninos e meninas que, em 2021 pisarão pela primeira vez numa escola pública? Como sabem, há entre 47 – 50 milhões de alunos matriculados no Brasil na escola básica. Desse total, entre 8-10 milhões  estavam numa escola privada.

Segundo os dados do final do ano 2020, cerca de 10% desses alunos da escola privada já haviam cancelados suas matrículas para 2021, ou seja, estamos falando de  34 mil salas de aulas novas que precisam ser criadas só para absorver os alunos-órfãos; órfãos da escola privada.

A uma parcela  dessas 34 mil novas sala de aulas me preocupa mais. Ela será composta daquelas crianças com história inversa:  serão a primeira geração na família a estudar na escola pública. Insisto na questão do amparo e do afeto: Como deve ser o acolhimento e o trabalho em torno de uma criança que pela primeira vez na história da família irá para a escola estadual ou municipal na qual ela nunca adentrou? Ou ainda, como será conviver num lugar onde nenhum outro membro da família esteve antes?  A família está trabalhando isso como perda? A família está ignorando essa questão? Esta indiferente?

Essa é a minha verdadeira questão aqui. Os alunos-órfãos da escola privada não têm culpa da situação econômica de seus pais. Muitos são vítimas da negligência do (i)responsável pela família. Muitos, é claro, vivem a fatalidade, a perda do emprego dos pais, a morte na pandemia e outras situações. Mas há aqueles alunos cujos pais viveram a ilusão da classe média, da viagem da CVC pra Porto Seguro, das passagens de avião até pra voltar do trabalho pra casa, do consumo, do consumo, do consumo – tudo insustentável!

Não importa o quadro que levou estas crianças a perder a escola privada, a escola  pública, junto com os pais, no Brasil, precisa pensar em como acolher esses alunos neste ano letivo ainda em isolamento, ensino remoto e pandemia. Como dar a esses alunos uma visão otimista da escola de todos e para todos.

Como mostrar para as crianças que a ida para escola pública não é um castigo ou uma perda, apenas uma mudança, como estações se modificam tempos em tempos.

A escola pública pode ser surpreendente. A escola pública é um pedaço de delicadeza do paraíso. A escola pública é a única chance de muitas crianças se fazerem  realizadas e construídas ao longo da vida. E há, graças a Deus, muitas crianças que aprenderam a amar a escola pública e a acreditar nela.

Qualquer que seja a crise ou a sua origem familiar, a criança precisa compreender que o estudo é a condição absolutamente certeira de garantir que isso não irá acontecer nem com ela e nem com seus filhos no futuro, tendo qualificação sólida e protagonista. É na escola publica que os alunos podem descobrir que tudo depende deles mesmos: que o circo esteja armado, que o palhaço esteja engraçado e que a vida sobreviverá – tudo depende de nós. Depende tudo deles e de seus pares.

É na escola pública que o aluno pode perceber que sua professora, embora muito “sabida”, vem de ônibus, usa só calça legging e camisetão. Todas tem uma coleção disso que é pra dar conta de subir em ônibus, segurar criança, trepar no armário pra pegar livro, entre outros tantos apuros.

É na escola publica que muitos alunos vão descobri que a merenda é feita pela professora, a bunda dos pequenos é limpa pela mesma professora, o caderno é corrigido pela mesma professora, a divisão do quadro em 4 partes é feita pela mesma professora  e na hora de chegar ou de ir embora quem está na porta do ônibus contando é a mesma professora.

Na escola pública falta sim muita coisa, mas lá sobra também muita coisa.   Outro dia meu filho me perguntou: Pai o que é improvisar? Eu pensei em mil respostas para lhe dar naquele dia, mas uma me ocorre agora, “improvisar é educar, e educar é persistir com delicadeza”. O improviso na escola pública é uma delicadeza do ato de ensinar.

Então, pais e responsáveis, creiam na escola pública. Ajude a escola pública, respeitem a escola pública. Com crise ou sem crise ele está sempre lá. A escola pública não vai deixar de renovar a matrícula do seu filho. A escola pública suporta você falar mal dela, ir embora pra outra melhor e se você precisar, ou se arrepender, você pode voltar que haverá sempre uma escola aberta para te receber. Lá todos são mestres em perdão. Lá todo mundo sabe também o que é ingratidão.

Lá na escola pública, vivem “gentes”. Lá na escola pública há muitas “gentes”. Gente de fina estampa, inclusive. Lá habitam sonhos, lá há utopias, lá há espaços para o criar e o protagonismo.  Lá, há, espaço para o seu filho se educar sim e há espaço pra você ajudar na educação dele também.

E, se nenhum desses argumentos te convence de que a nova escola do seu filho é um pedaço de delicadeza do paraíso, lembra desse que aqui vos escreve, saído de uma escola  pública multiseriada do vale do Paranapanema, com 3 reprovações ao longo da caminhada, filho de pais e avós analfabetos. Hoje com 74 livros publicados em 4 diferentes idiomas, trabalhos educativos realizados em 4 continentes e agora chegando ao pós-doutoramento. 30 anos sendo aluno da escola pública. 30 anos acreditando nela. 30 anos sendo grato por tudo que ela ainda há de me dar. À escola pública, meu respeito e minha reverência maior. BEM VINDOS NOVO ALUNOS À ESCOLA PÚBLICA !

Gassho

Prof. Dr. Geraldo Peçanha de Almeida

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